terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O valor do natal


Em uma bela noite de inverno, no Alasca, uma família rica vivia feliz em sua casa requintada, enorme, de vários cômodos, em um bairro mais isolado da cidade. Lá viviam Patrícia e Lisa, duas irmãs bem diferentes uma da outra. Patrícia era tímida, solidária e não gostava muito do estilo de vida de sua família. Trabalhava como médica em um hospital e realmente amava ajudar os outros. Já Lisa era arrogante, popular e negligente com seus estudos. Patrícia fazia de tudo para ajudar sua irmã a mudar seu jeito, mas não dava certo. Porém, ela teria muito a aprender...
Certa noite, Patrícia estava voltando do hospital a pé. Estava com um casaco de lã bem grosso, mas mesmo assim tremia de frio. Estava nevando, e faltavam dois dias para o natal. Ela adorava o natal, mas não gostava de comemorá-lo com sua família, pois eles apenas trocavam presentes caros e iam dormir. Realmente, era chato.
De repente, ela tropeçou em um monte de neve e viu uma pequena garotinha, encolhida, debaixo de um teto de um restaurante fechado. Ao seu lado tinha outra, maior. Ela parecia faminta e estava em péssimo estado. Patrícia se dirigiu até ela.
- Oi. Onde estão seus pais? – perguntou.
Elas não responderam nada. Então, Patrícia tirou seu casaco e colocou sobre as duas.
- Venham comigo. – disse, levando-as.
Elas entraram em uma lancheria, e Patrícia pagou-lhes um sanduíche cada. Elas devoraram sem dizer uma palavra, mas ela pode ver a alegria em seus olhos. Sorriu.
- Obrigada. – a mais velha murmurou.
- Vou leva-las para casa. – disse.
A mais velha, Cristina, deu o endereço e foram. Era um povoado pobre, mas que as pessoas eram simpáticas.
- Seu casaco. – Cristina disse, já retirando.
- Não. Podem ficar. – Patrícia falou.
Seus olhos brilharam e ela abriu um pequeno sorriso.  Patrícia deu uma volta por ali, pensando em sua vida e comparando a elas. Naquele natal, enquanto sua casa estaria farta de comida, eles estariam sem nenhuma migalha de pão. Enquanto todos estariam ganhando um monte de presentes, eles estariam apenas encarando a neve caindo pela janela. Ela sentiu um aperto no coração, e uma vontade repentina de mudar isso. Então, voltou para a pequena casa e bateu na porta.
- Sim? – uma senhora atendeu. Tinha uma aparência cansada.
- Quero falar com Cristina e sua irmã, por favor. – pediu. A senhora chamou-as.
- Cristina... O que você gostaria de ganhar no natal? – Patrícia perguntou.
- Eu nunca ganhei nada... Nunca pensei nisso... – ela disse.
- O papai Noel nunca vem. – a mais nova completou.
Patrícia contraiu os lábios.
- Então... Pensem e me digam. Me encontrem amanhã, na mesma lancheria, na hora do almoço. Eu sempre almoço lá. Ok? – disse.
- Ok. – Cristina disse, sorrindo.
Então, elas cumpriram o combinado. No dia seguinte, se encontraram na mesma lancheria. Patrícia pagou-lhes o almoço e elas conversaram.
- Então... Já decidiram? – perguntou.
Cristina e Charli se entreolharam e balançaram a cabeça.
- Venham comigo. – Patrícia disse.
Elas foram até uma loja de brinquedos. Se fosse possível medir a felicidade das duas, diria que estavam no máximo. Ficaram uma meia hora ali, olhando encantadas para a enorme variedade de brinquedos.
- Eu quero essa boneca. – Charli falou.
- E eu essa casinha. – Cristina disse.
- Tudo bem. – Patrícia sorriu. – Mas só amanhã, que é o natal, ok?
- Ok... Espera, nós vamos ver o papai Noel? – Cristina perguntou.
- Hum... Talvez. – disse, sorrindo.
Quando chegou em casa, Patrícia anunciou que passaria o natal com seus amigos.
- Duvido que eles tem tudo o que nós temos. Olha essas comidas... – Lisa disse.
- Isso importa? – Patrícia retrucou.
- Aonde você vai? – ela perguntou.
Patrícia respirou fundo. Sua madrasta lhe olhou feio.
- Eu vou fazer uma coisa que vocês nunca fizeram, isso eu garanto. Enquanto vocês ficam aí, se empanturrando de toda essa comida que a metade vai fora depois, há pessoas passando fome. Enquanto vocês ficam gastando dinheiro com coisas fúteis, que já tem ou que não precisam, há pessoas que precisam dessas coisas. Há pessoas que nunca ganham nada, que nunca tiveram isso, e que com certeza dariam valor se tivessem. Quando vocês vão aprender que dinheiro não é tudo? Eu amo vocês, mas precisam aprender isso. Pensem no que eu disse. – falou, se levantando. – Ainda dá tempo de mudar.
Ninguém respondeu, e ela saiu, pegando a sacola com os presentes e mais uma com roupa de papai Noel. Pegou o carro e se dirigiu até a casa das irmãs.
- Oi. – a senhora cumprimentou, com os olhos cheios de lágrimas.
- Oi... Você... Está bem? – perguntou.
- Estou. O que deseja?
- Ver Cristina e Charli. – disse.
- Charli está a caminho do hospital. – a senhora disse, e suas lágrimas caíram de vez.
- O que aconteceu?
- Começou a passar mal... Seu coração... Ela... – falou, mas não conseguiu terminar a frase. – Tive que ficar para cuidar do bebê. – ela segurava um bebê muito fofinho. – Meu marido foi com ela.
- Elas foram no hospital do centro?
- Sim.
Bem na hora, seu celular tocou. Era o hospital.
Patrícia correu. Acelerou o carro e chegou lá rapidamente. Incrivelmente, chegou junto com a ambulância que trazia Charli, Cristina e seu pai.
- Cristina. – ela disse, e a outra correu para abraça-la. – vai ficar tudo bem.
Então, ela curou-a. Descobriu que Charli tinha asma, e teve um ataque realmente forte. Mas já estava melhor.
- Seria seguro se ela passasse a noite aqui no hospital. – disse.
- Que ótimo natal. – Cristina desabou a chorar, e nada podia lhe consolar.
Aí, Patrícia pensou... Tinha deixado os presentes e a fantasia no carro... Ainda havia tempo... Então, chamou uma enfermeira para tomar conta de Charli enquanto ia pegar as coisas. Se vestiu o mais rápido que pode e voltou rapidamente.
Toc Toc. A enfermeira abriu e saiu, deixando-a sozinha com Charli, Cristina e seu pai.
- Papai Noel?- perguntou Cristina.
- Sim, querida. Ho Ho Ho. – falou, sorrindo. – E eu trouxe presentes!
Elas ficaram loucas. Patrícia obrigou-lhes a fazer silêncio, pois estavam no hospital, e entregou os presentes.
- Era exatamente o que eu queria! – exclamaram. Havia lágrimas de felicidade em seus olhos.
Patrícia (ou papai Noel) conversou com elas, até que a enfermeira voltou.
- Por favor, venha aqui. – chamou. – Eu comprei alguns chocolates... Você poderia passar nos quartos das crianças e distribuir. O que acha?
- Ótima ideia. – falou, sorrindo.

Então, ela fez. No dia seguinte, apareceu em vários jornais e até mesmo na TV. Sua família ficou orgulhosa dela, e começaram a pensar mais sobre valores. O que será que valia mais? O dinheiro, o amor? A solidariedade? Patrícia ajudou a responder a essa pergunta com esses simples atos de carinho e ajuda. Há coisas que o dinheiro não compra... E, com certeza, o natal tem muito mais valor quando existe amor. 


Feliz natal para todos vocês!!! :)

Posted by: Lau

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